O OE e a taluda
Antunes Ferreira
O Orçamento para 2012 está realmente muito difícil de parir. Já o tinha dito Pedro Passos Coelho, secundado depois pela dupla mais perigosa: Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira. Recordo aqui as afirmações do nosso primeiro. «Será seguramente o orçamento mais difícil de fechar e o mais difícil de executar de que temos memória em Portugal» que ainda sublinhou que «todos os sacrifícios que vai envolver e todos os esforços só têm o propósito de cumprir» o acordo com a troika.
A este trio de ataque (que me perdoe a RTP) juntou-se agora o ministro Relvas, um verdadeiro anunciante do apocalipse, depois de reunião que teve com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses. «O sacrifício que vai ser pedido às autarquias é o mesmo sacrifício que será pedido ao Estado central e ao Estrado regional».
E acrescentou que o OE que vai ser aprovado amanhã, depois de uns quantos adiamentos e prolongadas reuniões do Conselho de Ministros: «é orçamento muito difícil de ser encerrado, de ser fechado, que está a ser difícil de ser construído, porque não queremos ter surpresas mais à frente». O eterno presidente da ANMP, Fernando Ruas, militante do PSD, singular coincidência, não levantou grandes objecções ao seu companheiro.
Deixem-me que aqui desabafe que, quando era chefe do Gabinete de Comunicação do Ministério das Finanças, tive oportunidade de assistir ao processo de elaboração orçamental por três vezes. Fi-lo a fim de tomar conhecimento do que se ia desenrolando para depois poder dar à Comunicação Social os resultados finais e as dificuldades havidas para a concretização do documento fundamental na previsão das receitas e despesas do Estado. Todos a querer muito, o Governo a não poder dar mais.
Daí que compreenda bem que a dificuldade anunciada é muito preocupante; é uma dificuldade muito… difícil. Difícil de fechar e de executar de que temos – ou mais precisamente o Executivo tem – memória em Portugal, de acordo com Passos Coelho.
É fatal como o destino: estamos feitos. Nesta altura, estamos mesmo muitíssimo feitíssimos. No momento de apertar o cinto, somos todos iguais? Não nos podemos esquecer de que há sempre uns mais iguais do que os outros. Amanhã, veremos. Benzamo-nos, se é que nos valerá de alguma coisa. A taluda só sai aos virtuosos; aos pecadores, nem a terminação.





